segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Guarda-livros Juramentado


(cena de blade runner - a morte do andróide Roy)


[...] A escrita que no livro impresso havia encontrado um asilo onde levava sua existência autônoma, é inexoravelmente arrastada para as ruas pelos reclames e submetida às brutais heteronomias do caos econômico. Essa é a rigorosa escola de sua nova forma. Se há séculos ela havia gradualmente começado a deitar-se, da inscrição ereta tornou-se manuscrito repousando oblíquo sobre escrivaninhas, para afinal acamar-se na impressão, ela começa agora, com a mesma lentidão, a erguer-se novamente do chão. Já o jornal é lido mais a prumo que na horizontal, filme e reclames forçam a escrita a submeter-se de todo à ditatorial verticalidade. E, antes que um contemporâneo chegue a abrir um livro, caiu sobre seus olhos um tão denso turbilhão de letras cambiantes, coloridas, conflitantes, que as chances de sua penetração na arcaica quietude do livro se tornaram mínimas. Nuvens de gafanhotos de escritura, que já hoje obscurecem o céu do pretenso espírito para os habitantes das grandes cidades, se tornarão mais densas a cada ano seguinte.

(Walter Benjamin)

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

O desejo de consumir te aterroriza? Assista a Surplus!



" O desejo de consumir te aterroriza. Estamos aterrorizados em sermos consumidores. Nós temos a liberdade de escolher entre a marca A, a marca B e a marca C... é essa a nossa liberdade. (...)
Constante trabalho e constante consumo, isso é loucura. Isto está destruindo tudo e só vai continuar. Eu vejo muito pouco que vale a pena preservar. Não vejo nenhum valor ou saúde em manter esse sistema.
Conseguir todas essas coisas é uma questão de coerção.
As pessoas estão sendo forçadas a trabalhar em minas e nas fábricas. Sem isso não temos todas essas coisas. Um mundo de coisas que se supõe que devemos lutar para obter durante toda a nossa vida.
Penso que ninguém se envolve nisso seriamente, mas a inércia leva isso adiante."


John Zerzan é um anarquista norte-americano que ganhou destaque a partir da década de 1980 com sua proposta fundamentada no retorno ao primitivismo. É dele o discurso acima. O documentário sueco Surplus (2003) baseia-se nas suas idéias para construir uma narrativa original e contundente sobre o nosso mundo globalizado e consumista.

Utilizando técnicas originais e uma montagem pra lá de criativa, o diretor italiano Erik Gandini coloca em cheque os valores da sociedade de consumo e aponta a insustentabilidade dos modelos econômicos do ocidente.

Indispensável!

sábado, 31 de janeiro de 2009

Campanha Livro Aberto

Para ampliar o acervo de livros das bibliotecas das prisões do Espírito Santo, a Secretaria de Estado da Justiça (Sejus), por meio do programa educacional ‘Portas Abertas para a Educação’ está promovendo a campanha permanente de doação Livro Aberto.

Segundo a coordenadora do programa, Telma Regina, “as bibliotecas das unidades prisionais têm o objetivo de estimular a leitura e democratizar o acesso aos livros, além de servirem de apoio aos internos que estudam nas unidades prisionais”.

Os interessados em participar podem doar livros novos ou usados de diferentes gêneros: romance, auto-ajuda, poesia, aventura, suspense, religião, contos e similares.

As doações podem ser entregues no Balcão da Cidadania, localizado no térreo do edifício Fábio Ruschi, na Av. Governador Bley nº 236, Centro, Vitória. Para esclarecer qualquer dúvida em relação ao destino dos livros o doador pode contatar a equipe do programa educacional. Bibliotecas prisionais do Estado.
As doações podem ser entregues no Balcão da Cidadania
no térreo do edifício Fábio Ruschi, na Av. Governador Bley nº 236, Centro, Vitória
Quem tiver uma quantidade maior de livros pode ligar que a equipe se encarrega de buscar no local.

O programa ‘Portas Abertas para a Educação’ é uma parceria entre a Sejus e Secretaria de Estado da Educação (Sedu), e oferece aulas do ensino regular desde a alfabetização até o Ensino Médio, em 10 unidades prisionais do Estado.

Durante o ano de 2008, aproximadamente 780 internos frequentaram as salas de aula no estado, orientados por 53 professores. O número é muito pequeno se considerarmos que a população carcerária no estado ultrapassa 6 mil (dados de 2004) pessoas. Aumentar o número de alunos no programa é uma tarefa que a Sejus está se proponto. Cada um de nós, porém, pode fazer sua parte participando de campanhas de doação como essa.

Mais informações: http://www.sejus.es.gov.br
(27) 3132-1847 - programaeducacional@sejus.es.gov.br.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Curta a Educação no 1º Simpósio de Políticas Públicas, História e Educação


Criaturas que nasciam em segredo



Reminiscência



O Simpósio acontecerá de 19 a 21 de novembro, na Ufes. Na programação, dias 20 e 21, às 12h 30min, haverá exibição dos programas Diferenças e Curta Cada Página, no auditório do IC V - Centro de Educação. Uma boa oportunidade para falar sobre cinema e educação.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Curta a Educação - Semana de Cinema e Educação



De 9 a 12 de dezembro, no Cine Metrópolis, Ufes, acontecerá a I Semana de Cinema e Educação. A exibição dos filmes será sempre ao meio dia e haverá uma conversa ao fim de cada seção. A programação é aberta ao público em geral, mas voltada aos alunos de graduação em Pedagogia e cursos de licenciatura. A Semana é uma produção do Projeto Ação Audiovisual, em parceria com a Programadora Brasil e o Cine Metrópolis. Entrada franca!

Programa
Terça - dia 9 - 12h: Diferenças (curtas)
Labirinto - de Margarita Hernandez ee Tibico Brasil
Reminiscência - de Eduardo Nunes
Patuá - de Snir Wein
O Resto é Silêncio - de Paulo Halm
Príncipe do Fogo - de Sílvio Da-Rin
Criaturas que Nasciam em Silêncio - de Chico Teixeira

Quarta - dia 10 - 12h: Curta cada Página (sobre livros, leituras e leitores)
O Homem livro - de Anna Azevedo
Felicidade Clandestina - de Marcelo Gomes e Beto Normal
Dedicatórias - de Eduardo Vaisman
A vingança da Bibliotecária - de Santiago Dellape
O Livro - de Aleques Eiterer
O Livro de Walachai - de Rejane Zilles

Quinta - dia 11 - 12h: Histórias do Cinema Brasileiro
O Homem Morcego - de Ruy Solberg
Simião Martiniano, o Camelô do Cinema - de Clara Angélica e Hilton Lacerda
Roberto - de Amilcar M. Claro
Cine Holiúdy - o Astista contra o Caba do Mal - de Halder Gomes
Como se morre no Cinema - de Luelaine Loiola Corrêa

Sexta - dia 12 - 12h:
Janela da Alma - Longa de João Jardim e Walter Carvalho
Cego Oliveira no sertão do seu olhar - de Lucilla Meirelles

domingo, 12 de outubro de 2008

Ação Audiovisual é...




Uma das características do cinema é o fato de poder ser utilizado pelo espectador como uma janela através da qual ele pode observar o mundo. Por esta janela ele pode ver apenas o que a moldura mostra (ou recorta), ou pode, também, debruçar-se em seu peitoril e olhar o que está em volta da moldura, extrapolando os limites impostos pelo recorte do filme com sua própria realidade e suas subjetividades, estabelecendo, através do filme, um processo cognitivo permanente.

Pois o que é relevante em um filme não é tanto a história que ele nos mostra ou o desenrolar da ação. Também não é o discurso narrativo em si, nem os aspectos formais de construção da narrativa cinematográfica. O que o torna importante como ferramenta pedagógica é a capacidade que ele tem de dar forma às angústias e ao cotidiano das relações humanas, mediadas pela identidade com o conteúdo, com o som e com a imagem.

A imagem nos cerca por todos os lugares. Por onde quer que circulemos no nosso dia a dia urbano, somos bombardeados por fotos, anúncios e outros códigos visuais que estão presentes nas roupas, nas marcas, nas placas de sinalização, etc. A imagem em movimento também: ela definitivamente faz parte do nosso código de comunicação e está cada vez mais presente no nosso cotidiano. Impossível fugir dos filmes, novelas, clips musicais, da publicidade. Somos cercados pelas imagens e pelos sons que as acompanham. Deixamos que penetrem em nós as mensagens que elas nos dão, mesmo sem que nossos sentidos disso se apercebam.
Enquanto que na leitura nos predispomos ao livro de uma forma totalmente diferente - nos isolamos, nos recolhemos, buscamos a concentração dos sentidos no que vai ser lido - na leitura do audiovisual, ao contrário, nos deixamos invadir pela imagem e pelo som. Somos cercados por eles e nos deixamos penetrar por eles, mesmo sem querer.

Por esse fator involuntário, somos muitas vezes assaltados por mensagens que nosso cérebro não processa completamente. A proposta do projeto Ação Audiovisual é possibilitar instrumentos para a leitura das produções audiovisuais e, conseqüentemente, capacitação para o entendimento crítico das mensagens que nos são passadas por eles. Saber o que é o cinema e o vídeo e aprender a fazer audiovisual pode possibilitar uma “desmistificação” dessa linguagem, ao mesmo tempo em que pode possibilitar um retorno à leitura e à escrita, na procura de roteiro e argumento para as produções realizadas.

Na educação, é cada vez maior o uso do vídeo e do cinema como instrumento pedagógico para a fixação de conteúdos. Mas nesse uso nos deparamos com um problema fundamental: para utilizar o cinema e o vídeo (códigos audiovisuais) na educação, é preciso que os educadores saibam “ler” esses códigos. Embora os educadores tenham perfeito domínio de ferramentas de linguagem como livros, jornais e internet, muitas vezes eles não tem como fazer uma decodificação dos instrumentos audiovisuais, embora os utilizem. Isso gera um certo “desperdício” de uma ferramenta de trabalho importante para os educadores.

O que é?
Projeto que utiliza o cinema e o vídeo, bem como todas as formas de produção audiovisual, como instrumento de educação e reflexão nas salas de aula e fora delas (associações comunitárias, ongs, etc.)

Como fazer a Ação Audiovisual?

1 Por meio de oficinas de linguagem audiovisual;
2 Por meio de exibição de filmes e vídeos acompanhados de discussões e debates
3 Por meio de oficinas de realização de vídeo;
4 Por meio de formação de dvdtecas comunitárias;